Como fazer um simulado em casa que valha alguma coisa
- Simulado feito em condições confortáveis não mede o que você vai render na prova. O objetivo é reproduzir a restrição, não o conteúdo apenas.
- Use caneta, não lapiseira. No dia da prova não existe borracha, e errar sem poder apagar é parte do que você precisa treinar.
- Limite o espaço de rascunho ao que a prova oferece. Rascunho infinito cria um hábito que a folha oficial não sustenta.
- Controle o tempo por alarme de hora em hora, em vez de olhar o relógio. É assim que o fiscal avisa o tempo na sala.
- Faça no mesmo horário em que a sua prova será aplicada. No exame do CPCAR 2027, as provas escritas começaram às 13h40, com portões fechando às 13h.
Um simulado só funciona como diagnóstico quando as condições dele se parecem com as da prova. Feito na cama, com o celular do lado, folha de rascunho ilimitada e pausa quando bate o cansaço, ele mede o que você sabe em conforto, e não o que você entrega em três horas de sala com o relógio correndo. Montar a condição certa custa pouco: um canto silencioso, caneta em vez de lapiseira, rascunho limitado ao que a prova dá, alarme no lugar do relógio e o mesmo horário do exame.
Insisto nisso porque é a parte que os alunos mais pulam e a que mais muda o resultado do diagnóstico. Corrigir bem um simulado feito em condição frouxa não resolve: você vai estar corrigindo um desempenho que não vai se repetir. Este artigo trata só da execução. O que fazer com o resultado depois está em como usar simulado para melhorar de verdade na EPCAr.
Onde fazer o simulado, se não tenho um lugar silencioso?
O ideal é um cômodo em que ninguém entre durante o tempo inteiro da prova. Como nem todo mundo tem isso, a solução prática é tampão de ouvido, daqueles de espuma, que custa pouco e resolve a maior parte do problema de barulho de casa. Serve também para outra coisa: acostuma você a se concentrar sem silêncio perfeito, que é exatamente o que acontece em uma sala com dezenas de candidatos, cadeira arrastando e fiscal andando.
Sobre fazer impresso ou na tela, os dois funcionam, mas o impresso reproduz melhor a sensação da prova, com papel, caneta e espaço físico limitado. Se for fazer no computador, imprima ao menos a folha de rascunho ou separe uma quantidade fixa de folhas antes de começar, pelo motivo do próximo tópico.
Caneta ou lapiseira no simulado?
Caneta. No dia da prova não existe lapiseira nem borracha, e o edital exige caneta de tinta preta ou azul, inclusive na redação, sob pena de zerar. Treinar a lápis cria dois hábitos que a prova não sustenta: apagar e refazer a conta no mesmo espaço, e escrever sem o compromisso de acertar de primeira. Errar de caneta, riscar e seguir adiante é uma habilidade, e ela se treina.
Como treinar o espaço de rascunho?
Este é o detalhe que quase ninguém pratica e que aparece na hora errada. A prova dá um espaço determinado de rascunho, e todas as questões precisam caber ali. Quem treina com caderno aberto e rascunho infinito desenvolve contas espalhadas, que não cabem no espaço real, e descobre isso no dia.
A correção é simples: divida a folha do caderno ao meio, com um traço, e resolva dentro dessas metades, do mesmo tamanho aproximado do espaço que a prova oferece. Depois de algumas semanas, a conta encolhe sozinha e você para de precisar de espaço que não vai ter. É o tipo de ajuste que não melhora o seu conhecimento em nada e melhora bastante o seu rendimento.
- Separe antes quantas folhas de rascunho você vai usar, e não pegue mais que isso.
- Divida a folha ao meio e resolva dentro de cada metade.
- Numere o rascunho pela questão, para conseguir voltar e conferir na revisão.
- Não passe conta a limpo. No dia da prova esse tempo não existe.
Como controlar o tempo durante o simulado?
Com alarme de hora em hora, não olhando o relógio. Na sala, o fiscal marca o tempo decorrido no quadro em intervalos, e é assim que você vai receber essa informação no dia. Quem treina consultando o cronômetro a cada questão cria uma dependência que a prova não atende, e ainda perde tempo e concentração no processo.
O que essa prática constrói é noção de ritmo. Depois de alguns simulados, você passa a saber que, ao terminar matemática, deveria restar determinada quantidade de tempo, e consegue decidir na hora se dá para revisar ou se precisa acelerar. Essa leitura só aparece com repetição, e é ela que evita a descoberta tardia de que faltou tempo para passar a redação a limpo.
Em que dia e horário fazer o simulado?
No mesmo horário em que a sua prova será aplicada, e num dia que você consiga repetir toda semana. Confira o horário no edital do seu exame, porque ele muda entre concursos e entre anos. No exame do CPCAR 2027, os portões fecharam às 13h, as orientações gerais foram às 13h10 e as provas escritas começaram às 13h40, ou seja, foi uma prova de tarde.
Isso importa mais do que parece porque o corpo tem horário. Quem treina sempre de manhã e faz a prova à tarde encontra um nível de atenção diferente do que treinou, num dia em que não dá para reagendar. Escolher o dia fixo, geralmente o domingo, tem a vantagem adicional de virar rotina: o simulado deixa de depender de decisão e passa a ser o que se faz naquele dia.
Com que mentalidade fazer o simulado?
Tratando como prova, e não como lista de exercícios. Isso parece conselho vago e tem consequência prática direta: se você não der o seu máximo no simulado, o diagnóstico sai errado, e todo o planejamento construído em cima dele sai errado junto. Simulado feito pela metade informa menos que simulado nenhum, porque produz um número em que você vai acreditar.
Faz parte disso não interromper. Deixe água e alguma bolacha na mesa antes de começar, para não levantar, e trate o tempo como fechado. A concentração de bloco inteiro é uma das coisas que a prova cobra e que quase nenhum estudo do dia a dia treina, porque estudar normalmente permite pausa a qualquer momento.
E quando a nota do simulado vem ruim?
Acontece, inclusive com quem vinha bem, e não prevê reprovação. Um dos aprovados do CPCAR 2024 que acompanhamos vinha acertando 43, 44 e até 46 questões em provas antigas quando pegou uma prova de ano anterior e acertou 35. Ele descreve o susto e a conversa que teve depois, cuja conclusão foi analisar com frieza de onde vieram os erros e seguir em frente. Passou naquele ano, em 29º lugar.
Duas leituras ajudam nessas horas. A primeira é que provas de anos diferentes têm dificuldades diferentes, então comparar nota entre elas mede tanto a prova quanto você. A segunda é que a nota do simulado não é previsão da nota da prova: ela é a lista dos assuntos que ainda precisam de revisão. Quem transforma o susto em plano de revisão aproveita o simulado ruim melhor do que aproveitaria um bom.
Perguntas frequentes
Como fazer um simulado em casa do jeito certo?
Devo fazer simulado de caneta ou de lápis?
Como treinar o espaço de rascunho da prova?
Posso olhar o relógio durante o simulado?
Que horário devo fazer o simulado?
Tirei uma nota ruim no simulado, vou reprovar?
Simulado digital serve ou tem que ser impresso?
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Pedro Ferreira
Pedro Ferreira sabe exatamente o que passa pela cabeça de quem está na reta final antes da EPCAr. Passou por isso, entrou no Esquadrão Xavante com 9,8 na redação, a maior nota da sua turma, e hoje ensina no Elementar Preparatório o mesmo método que o levou até lá: o Caveirão. Acredita que qualquer candidato que treinar direito consegue blindar a nota. Escreve aqui para ser o irmão mais velho que ele não teve quando mais precisou.



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