Como revisar para a EPCAr: quando, quanto e com o quê
- Dia fixo de revisão trata todas as matérias como iguais. O gatilho melhor é o erro: quando você trava numa questão por ter esquecido um conteúdo, aquele conteúdo entrou na fila.
- A dose que costuma bastar é ler a teoria rapidamente e fazer cinco questões do assunto. Em conteúdos que dependem mais de raciocínio do que de fórmula, de oito a dez.
- A prioridade da semana vai para a matéria em que você é pior, não para a que você gosta. Conforme ela sobe, a prioridade gira para a próxima.
- Monte um banco pessoal com as questões que trouxeram uma pegadinha ou uma ideia diferente, e refaça essas questões quando revisar o assunto.
- Estudar só o que você gosta é a forma mais comum de chegar à prova com um buraco. Aconteceu comigo: reprovei por português no ano em que estudei o que me agradava.
Reservar um dia da semana só para revisar parece organizado e costuma render pouco, porque trata todas as matérias como se precisassem da mesma atenção. O gatilho mais eficiente é o seu próprio erro: quando você trava numa questão porque esqueceu a lei dos cossenos, aquele assunto acabou de avisar que precisa de revisão. A dose que resolve a maior parte dos casos é ler a teoria rapidamente e fazer cinco questões daquele conteúdo específico.
Uso esse sistema desde a minha própria preparação e passei ele adiante para os alunos do Intensivo. A vantagem está em revisar onde a revisão muda alguma coisa, e não em revisar menos. Quem revisa por calendário acaba relendo o que já domina, porque estava marcado no papel, e deixa intocado o assunto que derrubou uma questão no simulado de domingo.
Quando revisar uma matéria?
Quando um erro seu apontar para ela. Ao corrigir uma lista ou um simulado, separe os erros em dois tipos: os de desatenção, como conta trocada, e os de conteúdo, em que você não lembrava a fórmula, a regra ou o caminho. Os de conteúdo são os que disparam revisão. Os de desatenção pedem outra coisa, que é concentração e conferência, e não releitura de teoria.
Esse critério tem um efeito colateral bom: a sua revisão passa a seguir o que a prova cobra, e não o que o cronograma imaginou meses atrás. Assuntos recorrentes na EPCAr, como lei dos senos e lei dos cossenos, vão aparecer com frequência nas suas listas justamente por serem recorrentes, e vão puxar revisão sozinhos.
Quantas questões fazer numa revisão?
Depende do tipo de conteúdo, e a distinção é simples. Assunto de aplicação direta, em que a dificuldade está em lembrar a fórmula e reconhecer que ela se aplica, se resolve com uma leitura rápida da teoria e cinco questões. Assunto que exige mais raciocínio, em que cada questão pede uma montagem diferente, pede de oito a dez. Passar disso, numa revisão, costuma ser tempo tirado de outro conteúdo que está pior.
- Identifique, na correção, se o erro foi de conteúdo ou de desatenção. Só o de conteúdo vira revisão.
- Leia a teoria daquele ponto específico rapidamente, sem reabrir o capítulo inteiro.
- Faça cinco questões do assunto, ou de oito a dez se ele depender mais de raciocínio do que de fórmula.
- Refaça, junto, as questões daquele assunto que você tinha salvado no seu banco pessoal.
- Se ainda errar por conteúdo, o assunto volta para a fila. Se acertar, ele sai e outro entra.
Como montar um banco pessoal de questões?
Enquanto resolve listas, você encontra questões que trazem uma pegadinha interessante, um conceito pouco explorado ou uma ideia que você não tinha visto antes. Numa lista de quarenta questões, costumam ser umas cinco ou sete. Anote essas em algum lugar de acesso rápido. Eu usava um grupo de WhatsApp só meu, com as mensagens fixadas, mas caderno, bloco de notas do celular ou qualquer aplicativo simples serve igual.
O uso vem depois. Quando aquele assunto entra em revisão, você pesquisa o banco, encontra as questões que tinha marcado e refaz aquelas. É revisão de teoria e de repertório de questão ao mesmo tempo, com o material que você mesmo selecionou por já ter achado relevante. Uma recomendação sobre a ferramenta: quanto mais simples, melhor. Montar um sistema elaborado de organização costuma consumir o tempo que deveria ir para as questões.
Por onde começar quando várias matérias precisam de revisão?
Pela que está pior, e não pela que você gosta. A distribuição de intensidade acompanha a sua fraqueza: a matéria em que você vai mal aparece mais vezes na semana, a intermediária aparece com frequência média, e aquela em que você já vai bem continua aparecendo, com intensidade menor. Nenhuma sai da rotina, porque matéria abandonada volta a cair.
O que faz esse sistema funcionar é ele girar. Conforme a matéria mais fraca sobe e alcança a intermediária, a prioridade muda de dono, e a que estava em segundo lugar assume o topo. Depois de alguns ciclos, as matérias tendem a se emparelhar, e aí a prioridade passa a ser o que cai com mais frequência na prova, somado a simulado e prova antiga.
Preciso ser honesto sobre o custo disso, porque é aqui que quase todo mundo falha, inclusive eu. Estudar o que se domina é agradável e dá sensação de progresso. Passei um ano da minha preparação fazendo isso e reprovei por português, matéria que eu achava que sabia e não sabia. A parte difícil deste método não é entender a escala de prioridade: é ter honestidade para admitir onde você está mal e disciplina para ir justamente para lá. Como organizar isso na semana está em cronograma de estudo para a EPCAr que realmente funciona.
Existe um método de estudo perfeito?
Não existe um que sirva para todo mundo, e procurá-lo é uma armadilha que consome semanas. É comum o candidato passar horas assistindo vídeo sobre método, trocar de sistema toda vez que encontra um novo, e nunca ficar tempo suficiente em nenhum para saber se funcionava. Cada pessoa absorve de um jeito: tem quem aprenda melhor em videoaula, quem renda mais em livro, e quem fixe teoria fazendo questão.
O que substitui a busca pelo método pronto é a autoanálise periódica, e ela exige uma dose de humildade que ninguém comenta. Às vezes você percebe que o caminho melhor exige voltar um pouco no que já andou, e recuar parece perda. Costuma não ser: o tempo perdido no recuo volta multiplicado depois. E vale lembrar que, com frequência, o que falta não é método nenhum, e sim sentar e estudar com esforço de verdade pelo tempo que você conseguir sustentar.
Perguntas frequentes
Preciso reservar um dia da semana para revisão?
Quantas questões fazer para revisar um assunto?
Qual matéria revisar primeiro?
Como saber se o erro pede revisão ou não?
Como montar um banco de questões para revisar depois?
Existe um método de estudo perfeito para a EPCAr?
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Yago Castelo
Professor de Matemática do Elementar, cristão e apaixonado por educação. 5º colocado na EPCAR em 2022, acredito no poder da disciplina, da excelência e da fé para transformar vidas.



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