Provas antigas do Colégio Naval: quantas fazer e como usar
- Prova antiga funciona porque o programa do edital é finito e a banca repete tipo de questão. Não é sorte: é consequência de um conteúdo programático fechado.
- Conferimos cinco provas de matemática do primeiro dia, dos ciclos 2020 a 2024: semelhança e triângulos, circunferência, área e porcentagem apareceram em todas as cinco.
- Um aprovado relata ter resolvido todas as provas de matemática desde 1975, e diz que os colegas dele dentro da escola tinham feito o mesmo.
- A conta da reta final é simples: uma prova a cada dois dias, em 90 dias, dá cerca de 45 provas resolvidas.
- Prova antiga sem correção não serve de nada. O ganho está em transformar o erro em lista de assuntos para revisar, e não em acumular provas resolvidas.
Prova antiga é o material de maior retorno da reta final do Colégio Naval, e o motivo não é místico: o conteúdo programático do edital é finito, a banca é formada por professores que permanecem por anos, e o mesmo tipo de questão volta. Um aprovado que entrevistamos conta ter resolvido todas as provas de matemática desde 1975 e diz que, ao chegar na escola, descobriu que os colegas dele tinham feito a mesma coisa. Só que fazer prova antiga sem corrigir direito é onde a maioria desperdiça o esforço.
Antes de repetir a tese dele, fui conferir. Peguei as provas de matemática do primeiro dia que temos em arquivo e testei se os assuntos realmente se repetem. Se repetem, e mais do que eu esperava. O resultado está na tabela abaixo, com a ressalva de método logo em seguida, porque número sem método é chute com aparência de dado.
Os assuntos realmente se repetem na prova do Colégio Naval?
Repetem. Ao varrer cinco provas de matemática do primeiro dia, dos ciclos de 2020 a 2024, quatro assuntos apareceram em todas as cinco, sem exceção. Outros dois apareceram em quatro das cinco. Não é padrão sutil: é a maior parte da prova concentrada num punhado de temas.
| Assunto | Em quantas das 5 provas apareceu |
|---|---|
| Semelhança e triângulos | 5 |
| Circunferência e círculo | 5 |
| Área | 5 |
| Porcentagem e juros | 5 |
| Função do 2º grau | 4 |
| Trigonometria | 4 |
| Razão, proporção e regra de três | 3 |
Levantamento do Elementar sobre cinco provas do primeiro dia do CPACN, ciclos 2020 a 2024, feitas por varredura de termos no texto das provas. É uma medida de presença do assunto na prova, não uma classificação questão a questão, e serve para mostrar recorrência, não para estimar quantas questões cada tema vale.
Vale notar uma coincidência que dá crédito ao método antigo. O aprovado entrevistado citou de improviso, sem consultar nada, que "com certeza vai cair função do segundo grau" e "com certeza vai cair semelhança de triângulos". Semelhança apareceu nas cinco provas, e função do segundo grau em quatro. Ele não estava adivinhando: estava lendo um padrão que qualquer pessoa com as provas na mão consegue ler.
Por que a banca repete tanto?
Porque ela não tem escolha. O conteúdo programático do edital do CPACN é uma lista fechada, e ela não cresce de um ano para o outro: em aritmética, por exemplo, o programa nomeia numeração, operações fundamentais, números primos, MDC e MMC, frações ordinárias e decimais, dízimas, sistema métrico, potências e raízes, razões e proporções, regra de três, porcentagem, juros simples e médias. É isso, e nada além disso.
Some-se a permanência da banca. São professores que elaboram a mesma prova por anos, com preferências próprias de recorte e de tipo de questão. O resultado é que, depois de dez ou quinze provas resolvidas, você para de encontrar novidade e começa a reconhecer construção: aquele traçado auxiliar que resolve uma questão de geometria reaparece em outra prova, anos depois, com números diferentes.
Quantas provas antigas devo fazer?
A conta que o aprovado sugere para a reta final é direta: uma prova a cada dois dias, ao longo de 90 dias, o que dá cerca de 45 provas resolvidas. Trate isso como referência de ritmo, e não como meta obrigatória. Ele mesmo foi mais longe, resolvendo todas as provas de matemática desde 1975, e diz que fazia isso anotando a resolução das questões num caderno próprio, que virou material de revisão.
Se você não tem 90 dias ou não tem base para esse ritmo, faça menos, sem culpa. É melhor resolver quinze provas com correção honesta do que quarenta e cinco marcando alternativa e conferindo gabarito. A quantidade impressiona; o que aprova é a correção.
Como usar a prova antiga, passo a passo
O protocolo tem quatro passos, e o terceiro é onde quase todo mundo para cedo demais. Prova antiga não é para medir nota: é para produzir uma lista de assuntos a revisar. Quem termina no passo dois transformou material de diagnóstico em passatempo.
- Resolva a prova em condição de prova: tempo fechado, sem consulta, sem pausa e no horário em que a sua prova será aplicada.
- Corrija pelo gabarito e separe os erros em dois grupos: os de desatenção e os de conteúdo.
- Para cada erro de conteúdo, pegue uma lista daquele assunto específico e resolva mais questões dele. Este é o passo que converte erro em acerto futuro.
- Anote a resolução das questões que te ensinaram algo novo, como um traçado ou uma sacada, num caderno único que vira seu material de revisão.
Sobre o passo três, a frase do aprovado é a melhor síntese que eu conheço: errou uma questão de equação do segundo grau, pega uma lista de equação do segundo grau e resolve. O objetivo é não errar de novo naquele assunto, e não é terminar mais uma prova. O mesmo raciocínio, aplicado a simulado, está em como usar simulado para melhorar de verdade na EPCAr, e vale igual para o Colégio Naval.
Quando prova antiga não ajuda
Em duas situações, e vale reconhecer as duas antes de gastar meses no método errado. A primeira é quando você ainda não tem base. Resolver prova de concurso sem conhecer o conteúdo produz uma sequência de zeros que desanima e ensina pouco, porque você não erra por detalhe, erra por não ter visto a matéria. Nesse caso o caminho é construir base primeiro e fazer poucas provas, como termômetro.
A segunda é mais silenciosa: se você já resolveu aquelas mesmas questões numa lista de curso antes de usar a prova como simulado, sua nota vai estar inflada, porque você está medindo memória e não capacidade de resolver. Prefira provas que ainda não passaram pela sua mão, mesmo que sejam de anos mais distantes. Tratei desse risco em detalhe, do lado da EPCAr, em reta final da EPCAr: o que fazer nos últimos 30 dias.
Onde conseguir as provas antigas do Colégio Naval
As provas dos ciclos recentes ficam disponíveis na página oficial da Marinha, junto com os gabaritos, e é de lá que vale baixar, porque garante versão correta e gabarito oficial. Um detalhe prático: as provas saem em versões identificadas por cor, e a numeração das questões muda entre elas, então confira se o gabarito que você está usando corresponde à versão da prova que você imprimiu.
Para os anos mais antigos, a disponibilidade cai e boa parte circula em arquivo digitalizado, sem camada de texto. Isso não atrapalha em nada quem vai resolver no papel, e é justamente o material que menos gente resolve, o que aumenta o valor dele como simulado de verdade. Se o seu objetivo é encontrar prova que você ainda não viu, é para lá que vale ir.
Perguntas frequentes
Quantas provas antigas do Colégio Naval devo fazer?
Os assuntos se repetem nas provas do Colégio Naval?
Como corrigir uma prova antiga do jeito certo?
Prova antiga serve para quem está começando do zero?
Onde baixar as provas antigas do Colégio Naval?
Minha nota na prova antiga foi alta. Posso confiar nela?
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Yago Castelo
Professor de Matemática do Elementar, cristão e apaixonado por educação. 5º colocado na EPCAR em 2022, acredito no poder da disciplina, da excelência e da fé para transformar vidas.



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