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Escolas Militares

Quais livros usar para estudar para o Colégio Naval

Por Yago CasteloPublicado em 17 de setembro de 20263 minutos de leitura
Em resumo
  • A prova do CPACN tem dois dias. No primeiro, matemática e inglês, com 20 questões cada, valendo 2,5 pontos por questão. No segundo, português, estudos sociais e ciências, mais a redação.
  • Inglês vale metade do primeiro dia. Quem se guia por relato antigo se engana, porque até alguns anos atrás a prova não tinha inglês.
  • Geometria costuma responder por boa parte da prova de matemática, o que faz de um bom livro de geometria a compra de maior retorno.
  • A lista que funciona é curta: um de geometria, um de aritmética, um de álgebra, uma gramática e um de interpretação. O resto é complemento.
  • Livro caro não substitui tempo de estudo. Comprar dez títulos e não fechar nenhum rende menos do que fechar dois.

A lista que resolve o Colégio Naval é curta: um livro de geometria, um de aritmética, um de álgebra, uma gramática e um de interpretação de texto. O resto é complemento, e vem depois. Essa lista sai do relato de quem passou na prova de 2015, a mais pesada da série recente, e foi conferida aqui contra o peso real de cada matéria no edital do CPACN 2026, porque recomendação de livro só vale quando bate com o que a prova cobra hoje.

Faço essa conferência porque encontrei uma divergência que muda a compra. Relatos de quem prestou até alguns anos atrás dizem que o Colégio Naval não tinha prova de inglês, e era verdade na época. Hoje o inglês ocupa metade do primeiro dia. Quem monta a lista de material por relato antigo compra errado, e descobre tarde.

O que a prova do Colégio Naval cobra, e com que peso?

São duas provas objetivas, aplicadas em dois dias consecutivos, cada uma valendo 100 pontos. No primeiro dia entram matemática e inglês, com 20 questões de cada, valendo 2,5 pontos por questão, em cinco horas. No segundo dia entram português, com 20 questões, estudos sociais, com 12, e ciências, com 18, valendo 2 pontos cada, mais a redação, também em cinco horas.

DiaMatériasQuestõesValor por questão
1ºMatemática e Inglês20 + 202,5 pontos
2ºPortuguês, Estudos Sociais e Ciências20 + 12 + 182,0 pontos
2ºRedação--

Estrutura conforme o edital do CPACN 2026. Confira sempre o edital do seu ano, porque a composição já mudou antes.

Duas conclusões saem dessa tabela. A primeira é que cada questão de matemática ou inglês vale mais do que uma de português, então errar no primeiro dia custa mais caro. A segunda é que ciências, com 18 questões, pesa mais do que estudos sociais, com 12, e merece proporcionalmente mais atenção do que a maioria dos candidatos dá.

Qual livro de matemática comprar primeiro?

Um de geometria. É a compra de maior retorno da lista inteira, porque geometria costuma responder por uma fatia grande da prova de matemática, e é a área em que o candidato médio chega mais fraco. Quem passou na prova de 2015 relata ter fechado quase inteiro o Geometria: Problemas sem Problemas, do Eduardo Mauro, e aponta esse livro como o diferencial da aprovação dele. A vantagem dele é começar do básico e subir o nível aos poucos, em vez de já abrir em questão de concurso.

Se você ainda trava no conceito antes da questão, vale começar por Geometria Plana Simples Assim, que constrói a base com linguagem mais direta, e só depois migrar para o Problemas sem Problemas. Comprar o livro difícil antes da hora é o erro clássico: ele fica bonito na estante e o candidato conclui que é ruim de geometria.

Vale registrar um título que não veio desse relato e sim da nossa própria experiência: o Fundamentos de Matemática Elementar volume 9, de Dolce e Pompeo, o FME9, de geometria plana. Ele foi o único livro de matemática que apareceu nas preparações dos três professores daqui, com estilos de estudo bem diferentes entre si. Serve para o Colégio Naval pelo mesmo motivo que serve para a EPCAr: a geometria plana cobrada é a mesma.

Para aritmética, o nome que aparece nos relatos é Praticando a Aritmética, do Lacerda. Aritmética no Colégio Naval é interpretação de problema, razão e proporção, regra de três, porcentagem e juros simples, tudo isso listado no programa do edital. É a área que mais recompensa volume de questão resolvida, e menos recompensa leitura de teoria.

Capa preta ou capa rosa, para álgebra?

Os dois resolvem, e a escolha é por preço. O Tópicos de Álgebra, Escolas Técnicas e Militares, do Ângelo Sabbatino, é o capa preta. O Álgebra para Escolas Técnicas e Militares, do Paulo César, é o capa rosa. Cobrem o mesmo tipo de questão, no mesmo nível, e foram feitos justamente para EPCAr e Colégio Naval. Pega o que estiver mais barato ou mais fácil de achar.

Para quem já fechou um desses e quer aprofundar, existe o Tópicos de Álgebra Elementar, o famoso capeta azul. Uma ressalva honesta: o aprovado que o recomenda confessa que usou pouco dele, e que o retorno maior veio de ter fechado geometria. Aprofundamento em álgebra é a última prioridade da lista, não a primeira.

Os links de livro deste artigo são links de afiliado da Amazon. Se você comprar por eles, o Elementar recebe uma pequena comissão, sem custo adicional para você. A indicação não muda por causa disso: os títulos são os mesmos que aparecem nos relatos de quem passou, e todos os que estão linkados aqui você encontra em qualquer livraria.

E para português e interpretação de texto?

Para teoria de gramática, o nome mais citado é o Fernando Pestana, que tem duas versões. A gramática para concursos militares já filtra o que aparece nos editais de EPCAr, Colégio Naval e AFA, e chega mais rápido no que interessa. A versão para concursos públicos traz a mesma teoria de base e resolve igual, se você achar só ela.

Para interpretação, que é onde a prova de português decide, o Interpretação de Textos, do Renato Aquino, entrega questão comentada em volume. Se você precisar de uma gramática de referência para tirar dúvida pontual, e não para estudar do começo, as duas clássicas são a Novíssima Gramática da Língua Portuguesa, do Cegalla, e a Moderna Gramática Portuguesa, do Bechara.

Vale um aviso de quem já corrigiu muita prova: português costuma ser a matéria que derruba quem vai bem em exatas. O aprovado que serviu de base para este artigo ficou de fora da EPCAr por português no ano anterior, acertando 7 de 16, e passou no Colégio Naval no mesmo ciclo. Não deixe português para o fim.

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Que livros usar para ciências e estudos sociais?

Ciências vale 18 questões e reúne física, química e biologia, então nenhum livro sozinho resolve. Para química, os nomes recorrentes são a coleção da Martha Reis, em três volumes, e o Usberco & Salvador. Para biologia, o Fundamentos da Biologia Moderna, do Amabis, cobre mais do que a prova pede, e por isso serve como consulta em vez de leitura integral. Para física, o nome clássico é o Fundamentos da Física, do Ramalho, e aqui vai um aviso prático: ele saiu de catálogo e hoje só se acha usado. Como a física cobrada no Colégio Naval é de nível básico, o livro didático da sua escola costuma dar conta, e não vale pagar caro por um exemplar de sebo antes de fechar as prioridades da lista.

Em estudos sociais, que soma 12 questões, os títulos citados são a Geografia Geral e do Brasil, do Eustáquio de Sene, e a História Geral e do Brasil, do Cláudio Vicentino. Uma observação sobre essas matérias: o erro mais comum é estudá-las só lendo. Elas também precisam de questão resolvida, e quem só lê chega na prova achando que sabe.

Preciso comprar todos esses livros?

Não, e comprar demais atrapalha. A ordem que faz sentido com orçamento apertado é esta: primeiro geometria, depois aritmética, depois uma gramática, depois álgebra e interpretação. Ciências e estudos sociais podem esperar, porque valem menos por questão e porque material de escola e apostila costumam dar conta.

  1. Geometria, porque é a maior fatia da prova de matemática e onde o candidato chega mais fraco.
  2. Aritmética, porque é a área que mais responde a volume de questão resolvida.
  3. Uma gramática, porque português decide a prova de quem vai bem em exatas.
  4. Álgebra, no capa preta ou capa rosa, o que estiver mais barato.
  5. Interpretação de texto, com questão comentada em volume.

E o alerta que vale mais que a lista: livro não estuda sozinho. Um aprovado que fecha dois títulos rende mais do que um candidato com dez livros na estante e nenhum terminado. Se o dinheiro estiver curto, compre menos e termine o que comprou. A mesma lógica de material aplicada à EPCAr, com a comparação entre os livros que cada professor daqui usou, está em quais livros usar para estudar para a EPCAr.


Perguntas frequentes

Quais livros usar para estudar para o Colégio Naval?
A base é curta: um livro de geometria, um de aritmética, um de álgebra, uma gramática e um de interpretação de texto. Nos relatos de aprovados aparecem Geometria Problemas sem Problemas, do Eduardo Mauro, Praticando a Aritmética, do Lacerda, o capa preta ou o capa rosa para álgebra, a gramática do Fernando Pestana e o Interpretação de Textos, do Renato Aquino. Ciências e estudos sociais entram depois, como complemento.
O Colégio Naval tem prova de inglês?
Tem, e ela pesa bastante. Pelo edital do CPACN 2026, o primeiro dia reúne 20 questões de matemática e 20 de inglês, valendo 2,5 pontos cada. Isso significa que o inglês responde por metade daquele dia. Relatos de candidatos de anos anteriores dizem que a prova não tinha inglês, o que era verdade na época deles, mas não vale mais para quem presta hoje.
Qual livro comprar primeiro para o Colégio Naval?
Um de geometria. É a área que costuma ocupar a maior fatia da prova de matemática e aquela em que o candidato médio chega mais fraco, então é a compra de maior retorno. Quem já trava no conceito pode começar por um título mais introdutório e migrar depois para um livro de questões, em vez de abrir direto no material de nível de concurso.
Capa preta ou capa rosa: qual é melhor para álgebra?
Os dois cobrem o mesmo tipo de questão, no mesmo nível, e foram feitos para EPCAr e Colégio Naval. O capa preta é o Tópicos de Álgebra, Escolas Técnicas e Militares, do Ângelo Sabbatino, e o capa rosa é o Álgebra para Escolas Técnicas e Militares, do Paulo César. A escolha honesta é por preço e disponibilidade, porque na prática eles se equivalem.
Como é a estrutura da prova do Colégio Naval?
São duas provas objetivas em dois dias consecutivos, cada uma valendo 100 pontos. O primeiro dia traz 20 questões de matemática e 20 de inglês, a 2,5 pontos cada, em cinco horas. O segundo dia traz 20 de português, 12 de estudos sociais e 18 de ciências, a 2 pontos cada, mais a redação, também em cinco horas. Confira sempre no edital do seu ano.
Preciso comprar todos os livros da lista?
Não, e comprar demais costuma atrapalhar. Com orçamento apertado, a ordem que faz sentido é geometria, aritmética, gramática, álgebra e interpretação, deixando ciências e estudos sociais para depois. Quem fecha dois livros rende mais do que quem tem dez na estante e não termina nenhum.
Os livros da EPCAr servem para o Colégio Naval?
Em matemática, boa parte serve, porque os dois concursos cobram álgebra, aritmética e geometria plana em nível parecido, e os livros de escolas técnicas e militares foram feitos pensando nos dois. O que muda são as matérias exclusivas: o Colégio Naval cobra estudos sociais e ciências no segundo dia, enquanto a EPCAr trabalha com português, matemática, inglês e redação.
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Yago Castelo

Professor de Matemática

Professor de Matemática do Elementar, cristão e apaixonado por educação. 5º colocado na EPCAR em 2022, acredito no poder da disciplina, da excelência e da fé para transformar vidas.

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