Quanto tempo de estudo leva para passar na EPCAr
- Não existe tempo mínimo de preparação para a EPCAr. Dois aprovados no CPCAR 2024 levaram um ano e três meses e três anos, respectivamente, e ficaram em 29º e 16º lugar.
- As rotinas dos dois eram opostas em quase tudo: dias de descanso, uso de videoaula, frequência de simulado e existência de cronograma.
- Três hábitos apareceram nos dois percursos: simulado semanal na fase final, correção do simulado logo no dia seguinte, e redução do ritmo perto da prova.
- Quem começa do zero tende a precisar de videoaula na largada e migra para PDF e livro conforme ganha base. Quem já tem base costuma render mais direto no material escrito.
- Reprovar não zera a preparação. O aprovado que levou três anos descreve o segundo ano como o de maior estudo, e o terceiro como manutenção do que já sabia.
Não existe tempo mínimo de preparação para a EPCAr, e o melhor jeito de mostrar isso é comparar dois aprovados do mesmo concurso. No CPCAR 2024, o Alex estudou pouco mais de um ano e passou na primeira tentativa, em 29º lugar. O Nicolas estudou três anos e passou na terceira, em 16º. As rotinas dos dois eram opostas em quase tudo que dá para comparar, e ainda assim o resultado ficou a treze posições de distância.
Acompanhei os dois de perto naquele ciclo, e o que me chamou atenção não foi o contraste. Foi descobrir que, embaixo de duas rotinas incompatíveis, havia três hábitos idênticos. Quem procura resposta para quanto tempo precisa estudar costuma estar procurando a rotina certa para copiar. Esta comparação serve justamente para mostrar que a rotina não é a parte que se copia.
Quanto tempo cada um levou para ser aprovado?
O Alex conheceu os concursos militares e começou a estudar em março de um ano, prestando a prova no julho seguinte: um ano e três meses, primeira e única tentativa. O Nicolas começou no meio de 2020 e prestou três vezes, chegando à aprovação com cerca de três anos de estudo acumulado. Os dois entraram no mesmo concurso, com notas próximas o bastante para ficarem na mesma faixa de classificação.
| Um ano de preparação | Três anos de preparação | |
|---|---|---|
| Tentativas | primeira | terceira |
| Sábado | dia normal de estudo | só de manhã, descanso à tarde |
| Domingo | simulado, ou estudo normal | simulado, depois descanso |
| Material preferido | PDF e livro desde cedo | videoaula no início, PDF depois |
| Cronograma | planejado desde o começo | estudo livre no último ano |
| Simulados | nenhum até outubro, semanal depois | dois por mês, semanal na reta final |
Comparação entre dois candidatos aprovados no CPCAR 2024, a partir do relato de cada um.
Dá para passar na EPCAr em um ano?
Dá, e o caso do Alex mostra em que condições. Ele tinha prazo curto declarado desde o início, e descreve isso como vantagem: saber que havia uma janela só criou um senso de urgência que organizou a preparação inteira. De março a dezembro o objetivo era pegar teoria e consolidar, chegando a acertar perto de 38 ou 39 questões em simulado e prova antiga até dezembro. De janeiro até a prova, o trabalho foi lapidar, com foco quase todo em português, que era o ponto fraco dele.
O que esse percurso exige, e que nem todo mundo tem, é conseguir estudar em ritmo alto sem interrupção durante o período inteiro, com apoio em casa. Quem concilia com outras obrigações, ou começa com base mais fraca em matemática, tende a precisar de mais tempo. O ponto de partida importa mais que o calendário, e é sobre isso o artigo como começar a estudar para a EPCAr do zero.
Reprovar significa recomeçar do zero?
Não, e o relato do Nicolas é útil aqui porque ele separa os três anos por função. O primeiro ano foi de começar quase do zero, lendo teoria sem muita profundidade e sem bom desempenho na prova. O segundo foi o de maior volume de estudo de toda a preparação, com teoria primeiro e depois muita questão, do nível de fixação até o de Colégio Naval. Na prova daquele segundo ano ele já tinha conhecimento suficiente, e o que o derrubou foi o descontrole emocional no dia.
O terceiro ano, o da aprovação, foi o de menor volume: como o conhecimento já estava construído, virou manutenção, quase sem teoria nova e quase só questão, sem cronograma rígido. Isso desmonta a ideia de que cada tentativa recomeça a contagem. O que se acumula é a base, e uma reprovação por fator emocional não apaga a matéria aprendida. O que fazer depois de uma reprovação está em os erros que fazem reprovar na EPCAr.
O que os dois fizeram igual?
Três coisas, e são as que valem copiar, justamente porque sobreviveram a duas rotinas opostas.
- Simulado semanal na fase final, sem exceção. Um deles manteve todo domingo de outubro até a prova, incluindo dias em que estava doente.
- Correção do simulado logo em seguida, como primeira tarefa do dia seguinte, e não semanas depois.
- Redução do ritmo perto da prova, em vez de intensificação. Os dois chegaram ao último mês estudando menos do que no meio da preparação.
O terceiro item costuma surpreender, porque contraria o que se espera da reta final. Um deles reduziu por exaustão, depois de dois anos e meio seguidos de estudo em tempo integral, e passou a incluir jogo e filme na rotina. O outro reduziu por planejamento: queria chegar ao dia da prova com a sensação de estar pronto, e nas últimas duas semanas fazia só questão, com folga para sair com os amigos. Motivos diferentes, mesma decisão. O que muda de verdade nos últimos 30 dias está em reta final da EPCAr: o que fazer nos últimos 30 dias.
Videoaula ou PDF: o que rende mais?
Depende do ponto em que você está, e os dois relatos convergem nisso mesmo tendo preferências opostas. Quem começa sem base nenhuma tende a precisar de videoaula no início, porque conseguir abrir um PDF longo e estudar sozinho pressupõe saber estudar, e isso também se aprende. Conforme a bagagem aumenta, o material escrito passa a render mais, porque permite avançar no próprio ritmo em vez do ritmo do professor.
O aprovado que começou do zero em matemática usou videoaula pesadamente no início e migrou para PDF no meio da preparação, deixando o vídeo apenas para resolução de questão específica em que travava. O outro preferiu livro e PDF desde cedo em matemática, e recorreu a videoaula justamente na matéria em que tinha mais dificuldade, que era português. Ou seja: nenhum dos dois escolheu um formato para tudo, e os dois usaram vídeo onde estavam mais fracos.
Perguntas frequentes
Quanto tempo preciso estudar para passar na EPCAr?
Dá para passar na EPCAr estudando só um ano?
Se eu reprovei, preciso recomeçar do zero?
Quantos simulados fazer por semana?
Devo estudar mais na reta final?
É melhor estudar por videoaula ou por PDF e livro?
Preciso de cronograma rígido para passar?
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Pedro Ferreira
Pedro Ferreira sabe exatamente o que passa pela cabeça de quem está na reta final antes da EPCAr. Passou por isso, entrou no Esquadrão Xavante com 9,8 na redação, a maior nota da sua turma, e hoje ensina no Elementar Preparatório o mesmo método que o levou até lá: o Caveirão. Acredita que qualquer candidato que treinar direito consegue blindar a nota. Escreve aqui para ser o irmão mais velho que ele não teve quando mais precisou.



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