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Redação

Como treinar redação para a EPCAr sem travar na busca pela nota 10

Por Pedro FerreiraPublicado em 25 de agosto de 20263 minutos de leitura
Em resumo
  • Perseguir a redação perfeita reduz o número de redações que você termina e entrega para corrigir, e é o número de correções recebidas que faz a nota subir.
  • A sua impressão sobre o próprio texto não prevê a nota. A correção é feita por matriz de códigos com valor fixo por ocorrência, não pela sensação de quem escreveu.
  • Redação boa, na prática, é a que o corretor entende sem precisar reler. Na correção de 2027 apareceram detalhamentos em forma de pergunta, sinal de corretor que não entendeu e converteu isso em desconto.
  • A redação tem peso igual ao das outras provas na Média Final, que sai de MF = (GP + GM + GI + GR) / 4. Ir bem nas objetivas não compensa uma redação fraca.
  • Não rasgue a redação que ficou ruim. Ela é justamente a que carrega a informação do que precisa mudar.

Se você trava tentando escrever a redação perfeita, o preço não é o texto sair pior: é você terminar menos redações e receber menos correções. E quem faz a nota subir é a correção, não a tentativa. Escrever cinco redações medianas e corrigir as cinco ensina mais do que passar o mês reescrevendo uma até ela parecer boa aos seus olhos, porque os seus olhos não são o critério pelo qual ela será avaliada.

Falo disso porque foi um problema meu. Rasguei um número de redações que hoje me incomoda lembrar, todas por não parecerem boas o suficiente enquanto eu escrevia. E aconteceu mais de uma vez de eu entregar um texto achando que tiraria sete e ele voltar com dez. Se a minha leitura do próprio texto errava tanto, ela não servia para decidir o que merecia ser corrigido e o que merecia ir para o lixo.

Por que buscar a redação perfeita atrasa a evolução?

Porque a busca pela perfeição age sobre a quantidade, não sobre a qualidade. Na prática ela produz três efeitos, e os três empurram a evolução para trás: você demora mais em cada texto, entrega menos textos para correção e desiste de alguns no meio. O aluno que treina assim chega à prova com poucas correções recebidas, e correção recebida é a única coisa que mostra o que a banca vê no seu texto e você não vê.

Tem ainda um custo emocional que atrapalha o resto da preparação. Quem escreve mirando dez trata qualquer nota abaixo disso como fracasso, e passa a evitar o treino que produz essa frustração. Redação é a matéria que o candidato mais adia, e o perfeccionismo é um dos motivos pelos quais ela vai para o fim da lista todo dia.

A minha impressão sobre a própria redação vale alguma coisa?

Vale pouco para prever nota, e vale bastante para outra coisa. Ela vale pouco porque a correção não é feita por impressão geral: é uma matriz de códigos, com valor fixo por ocorrência. Cada erro de expressão desconta 0,20, paragrafação desconta até 0,50, e os critérios de conteúdo chegam a 1,50. Uma redação que soa bonita pode acumular doze ocorrências pequenas, e uma que você achou sem graça pode não acumular quase nenhuma.

O que a sua impressão detecta bem é confusão. Se você reler o próprio parágrafo e precisar voltar para entender o que quis dizer, é sinal de alerta legítimo. Esse é o único julgamento que vale fazer sozinho, e ele nos leva ao ponto seguinte. Onde a nota realmente se perde está em os erros que mais custam ponto na redação da EPCAr.

O que é uma redação boa, na prática?

É a redação que o corretor entende sem precisar reler. Essa é a definição mais útil que eu conheço, porque é a única que você consegue aplicar sozinho enquanto escreve, sem depender de gosto. Ela não pede vocabulário difícil nem período longo. Pede que cada frase entregue a ideia na primeira leitura.

Ao ler 44 espelhos reais da correção de 2027, encontrei uma confirmação disso que não esperava. Vários detalhamentos da banca vinham em forma de pergunta, do tipo "Qual necessidade?" ou com um ponto de interrogação solto depois da palavra apontada. É o registro de um corretor que não entendeu o trecho, e que converteu essa dúvida em desconto. O texto não precisou estar errado para custar ponto: bastou não ter ficado claro.

Isso muda o alvo do treino. Em vez de perguntar "essa frase está bonita?", pergunte "alguém que lê isto uma vez só entende o que eu quis dizer?". A estrutura fixa que uso para garantir isso está em como estruturar a redação da EPCAr com o Caveirão.

Quanto a redação pesa na nota final da EPCAr?

Um quarto da Média Final, exatamente como cada prova objetiva. A conta do edital é MF = (GP + GM + GI + GR) / 4, em que GR é o grau da redação, e o edital afirma que ela tem peso igual ao das demais provas escritas. Também vale lembrar que só são corrigidas as redações de quem alcança o desempenho mínimo nas objetivas, o que significa que ela decide entre candidatos que já provaram nível nas outras matérias.

A consequência prática é a que mais me faz insistir no assunto: acertar muito nas objetivas não compensa uma redação fraca, porque ela entra na média com o mesmo peso. Vi mais de um candidato com desempenho alto na prova objetiva ficar atrás de outros com desempenho menor, por causa da nota de redação. A composição da média e o que ela produz em classificação estão em nota de corte da EPCAr, ano a ano.

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O que fazer com a redação que ficou ruim?

Entregar para correção do mesmo jeito. A redação que saiu ruim é a que tem mais a ensinar, porque concentra os apontamentos que você ainda não sabe evitar. Rasgar a folha, ou não enviar porque deu vergonha, joga fora exatamente o dado que faria a próxima sair melhor. Guardar as corrigidas em ordem também ajuda: depois de algumas semanas, dá para ver quais códigos se repetem em você, e é neles que o treino precisa bater.

  1. Escreva a redação inteira antes de julgar qualquer parágrafo. Julgar enquanto escreve é o que trava.
  2. Entregue para correção mesmo quando achar que ficou ruim, principalmente nesse caso.
  3. Não rasgue nem descarte nenhuma. Guarde todas as corrigidas, em ordem de data.
  4. A cada quatro ou cinco correções, liste os apontamentos que se repetiram e treine só aqueles.
  5. Cronometre pelo menos uma redação por mês no tempo real de prova, junto com o simulado.

E no dia da prova, devo tentar fazer a melhor redação da minha vida?

Não, e essa é a hora em que a busca pela perfeição custa mais caro. No dia da prova, a tarefa é cumprir a função do texto dentro do tempo e do espaço disponíveis, com clareza suficiente para o corretor entender de primeira. Tentar superar tudo que você escreveu na vida gasta minutos de hesitação que fazem falta no desenvolvimento, e aumenta a chance de você travar na primeira linha.

O que substitui a ambição de acertar tudo é a repetição prévia. Quem treinou dezenas de redações chega à prova executando um procedimento conhecido, e não improvisando sob pressão. Se a trava aparecer mesmo assim, o caminho para sair dela está em travou na introdução da redação da EPCAr? Como destravar.


Perguntas frequentes

Quantas redações preciso treinar para a EPCAr?
Não existe número fixo, e o que importa mais é quantas você entregou para correção, não quantas escreveu. Uma redação corrigida ensina o que a banca enxerga no seu texto e você não enxerga, e é isso que faz a nota subir. Vale mais escrever com regularidade e corrigir todas do que passar semanas lapidando uma única redação até ela parecer boa aos seus olhos.
Minha impressão sobre a própria redação prevê a nota?
Prevê mal. A correção é feita por matriz de códigos, com valor fixo por ocorrência: 0,20 por erro de expressão, até 0,50 em paragrafação e até 1,50 nos critérios de conteúdo. Um texto que soa bonito pode acumular muitas ocorrências pequenas, e um que você achou sem graça pode não acumular quase nenhuma. Já aconteceu comigo de entregar achando que tiraria sete e voltar com dez.
O que é uma redação boa para a banca da EPCAr?
Na prática, é a que o corretor entende sem precisar reler. Na correção de 2027 apareceram detalhamentos escritos em forma de pergunta, sinal de corretor que não compreendeu o trecho e converteu essa dúvida em desconto. O texto nem precisou estar gramaticalmente errado para custar ponto: bastou não ter ficado claro na primeira leitura.
Quanto a redação pesa na nota final da EPCAr?
Um quarto da Média Final. A fórmula do edital é MF = (GP + GM + GI + GR) / 4, em que GR é o grau da redação, com peso igual ao de cada prova objetiva. Isso significa que desempenho alto em português, matemática e inglês não compensa uma redação fraca, porque ela entra na média com o mesmo peso das outras três.
Devo jogar fora a redação que ficou ruim?
Não. A redação que saiu ruim concentra justamente os apontamentos que você ainda não sabe evitar, e é a que mais tem a ensinar. Entregue para correção mesmo assim e guarde todas as corrigidas em ordem de data. Depois de quatro ou cinco, dá para identificar quais códigos se repetem em você e direcionar o treino para eles.
Devo tentar fazer a melhor redação possível no dia da prova?
A tarefa no dia é cumprir a função do texto com clareza, dentro do tempo e do espaço. Tentar superar tudo que você já escreveu gera hesitação, gasta minutos que fazem falta no desenvolvimento e aumenta a chance de travar logo na introdução. O que sustenta o desempenho no dia é a repetição feita antes, que transforma a redação em procedimento conhecido.
Perfeccionismo atrapalha mesmo o treino de redação?
Atrapalha pela quantidade. Quem escreve mirando nota máxima demora mais em cada texto, entrega menos para correção e abandona alguns no meio, chegando à prova com poucas correções recebidas. Há ainda o efeito de tratar qualquer nota abaixo de dez como fracasso, o que faz o candidato adiar o treino de redação e empurrar a matéria para o fim da lista todos os dias.
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Pedro Ferreira

Professor de Redação e Inglês

Pedro Ferreira sabe exatamente o que passa pela cabeça de quem está na reta final antes da EPCAr. Passou por isso, entrou no Esquadrão Xavante com 9,8 na redação, a maior nota da sua turma, e hoje ensina no Elementar Preparatório o mesmo método que o levou até lá: o Caveirão. Acredita que qualquer candidato que treinar direito consegue blindar a nota. Escreve aqui para ser o irmão mais velho que ele não teve quando mais precisou.

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