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Matérias e DicasPasso a passo

Como estudar inglês para a EPCAr começando do zero

Por Pedro FerreiraPublicado em 28 de setembro de 20264 minutos de leitura
Em resumo
  • EPCAr e AFA são escritas pelos mesmos professores: os mecanismos de pegadinha são os mesmos, só a escala de dificuldade muda.
  • Em 2027, pela primeira vez, alunos que fizeram as duas provas relataram o inglês da EPCAr mais difícil que o da AFA do mesmo ano, invertendo a expectativa normal.
  • O mecanismo mais usado pela banca é o falso cognato: palavra que parece portuguesa e não é, como elder (sabugueiro, não idoso) e labor (trabalho de parto, não emprego).
  • Interpretação direta sumiu da prova: hoje toda questão de texto exige inferência, decidir um sentido, em vez de só localizar uma informação no parágrafo.
  • Skimming, não scanning: tentar traduzir o texto palavra por palavra é a técnica que mais atrasa quem já sabe algum inglês.

Começar do zero em inglês para a EPCAr não é abrir uma gramática pesada no primeiro dia. É criar contato diário com o idioma, mesmo pequeno, enquanto aprende a ler do jeito que a banca cobra, que é bem diferente do jeito que a escola costuma ensinar. Das 16 questões de inglês da prova, 8 são de interpretação de texto. Gramática pesa, mas quem aposta tudo nela e ignora leitura perde a metade mais fácil de ganhar.

Eu tive facilidade com inglês na minha preparação, tirei 15 de 16 questões sem abrir livro de gramática nenhum, só mantendo contato com o idioma no dia a dia. Mas facilidade prévia não é o ponto deste artigo. O ponto é o caminho que a gente aqui no Elementar recomenda pra quem realmente está começando do zero, cruzado com o que a nossa própria análise de 432 questões de EPCAr e AFA, com gabarito oficial conferido uma a uma, mostra sobre onde a banca mais pega o candidato.

Por onde começar quando eu não sei quase nada de inglês?

Pelo básico mesmo, sem vergonha disso. Duolingo pra pegar estrutura de frase e vocabulário do dia a dia, todos os dias, mesmo que sejam só dez minutos. Em paralelo, textos curtos e graduados por nível, tipo os do News in Levels, lidos com frequência diária, não uma vez por semana em dose cavalar. A cada palavra nova, ela entra num caderno de vocabulário, o que eu chamo de caderno de bizu. Pular esse caderno economiza tempo hoje e cobra depois, na revisão. Não é assim que a banda toca.

Depois entra a imersão que não parece estudo: celular no idioma inglês, filme dublado com legenda em inglês (pronúncia quase não é cobrada na prova escrita, então dublado com legenda já treina o olho), letra de música, gibi de personagem que você já conhece, jogo de videogame em inglês. Quem quiser reforçar com repetição espaçada, cartão de Anki ajuda, mas é o último item da lista, não o primeiro.

Qual é a técnica de leitura que funciona na prova de inglês da EPCAr?

Skimming, não scanning. Scanning é tentar traduzir o texto palavra por palavra, parando em cada termo desconhecido pra decifrar antes de seguir. Skimming é varrer o texto inteiro primeiro, ficando só com as palavras que você já reconhece, e pular limpo o que não conhece, sem travar. Numa aula recente resolvendo um texto real da EPCAr sobre mudança climática e Natal, apareceu a palavra "teorema" no meio da explicação só pra ilustrar o ponto: encontrou uma palavra que não sabe? "É o teorema do canguru. Pula."

Quem tenta decifrar cada palavra perde tempo que devia estar sobrando pra questão de matemática ou de português no fim da prova. E o pior: às vezes aquela palavra desconhecida nem é relevante pra responder nada. Se você fizer esse esforço palavra por palavra, seu concorrente que pulou direto vai terminar a prova de inglês com tempo de sobra e vai olhar pra você pensando: já passei, olha com quem que eu tô concorrendo.

Duas táticas resolvem a maior parte do resto. Primeiro, leia as perguntas antes do texto, pra já saber o que caçar durante a leitura. Segundo, circule datas, nomes próprios, lugares e números na primeira passada, porque é exatamente ali que a banca gosta de plantar a alternativa errada, trocando um número certo por outro parecido ou um nome por outro.

Que tipo de pegadinha a banca mais usa em inglês?

Falso cognato é a arma principal. É a palavra que parece portuguesa e não é, criada especificamente pra pegar quem traduz no chute. "Elder" parece "idoso", mas na EPCAr de 2027, questão 3, o sentido certo era sabugueiro, um tipo de planta. "Labor" parece "trabalho" no sentido de emprego, mas na questão 15 da mesma prova o sentido era trabalho de parto. Nos dois casos, a alternativa errada existe só pra fisgar quem leu rápido demais e traduziu pelo primeiro palpite.

Outro mecanismo forte é a palavra comum usada num sentido que ninguém espera. Em "yesterdays", no plural, a EPCAr de 2027 (questão 13) não queria "os dias antes de hoje", queria "experiências ou vivências passadas", um uso bem menos literal do que a maioria imagina. E tem o ponto de gramática cravado fundo dentro de uma questão maior: no mesmo ano, questão 16, o texto trazia "the star's stories", possessivo no singular. A diferença entre acertar e errar ali foi um apóstrofo.

PalavraO que parece significarO que significa de fatoOnde caiu
elderidoso, pessoa mais velhasabugueiro, um tipo de plantaEPCAr 2027, questão 3
labortrabalho, empregotrabalho de partoEPCAr 2027, questão 15
yesterdaysos dias antes de hojeexperiências ou vivências passadasEPCAr 2027, questão 13
actuallyatualmentede fato, na verdadeAFA 2021, questão 4
groundedde castigo, proibido de sairalicerçado, fundamentadoAFA 2026, questão 38
zero in onexpressão desconhecidafocar com precisão em algoEPCAr 2026, questão 6

Repare que a interpretação direta praticamente sumiu. Questão do tipo "segundo o texto, o personagem comprou o quê" não existe mais nas provas recentes. Toda questão de texto de hoje pede inferência: decidir um sentido, não simplesmente localizar uma frase e copiar. E tem um formato específico que costuma juntar dois mecanismos ao mesmo tempo, o de afirmativas em lista (I, II, III, com a pergunta "quantas estão corretas"), que não deixa eliminar por eliminação simples porque obriga resolver as três, uma por uma.

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EPCAr e AFA são a mesma banca? Isso muda como eu devo estudar?

São. Os professores que elaboram a prova de inglês da EPCAr são os mesmos que montam a da AFA. Se você tiver no nível da AFA, já sobra pra EPCAr. É por isso que, na nossa análise de 432 questões das duas provas entre 2014 e 2027, os mecanismos de pegadinha se repetem nas duas: o tipo de armadilha se mantém, e o que muda é o registro do texto de apoio. A EPCAr costuma vir em prosa mais simples, fábula, sinopse de ficção jovem, texto de divulgação científica. A AFA sobe pra crítica literária, poesia mais densa, ensaio argumentativo.

  • Fácil: registro baixo da EPCAr, eixo largo entre as alternativas, vocabulário do dia a dia.
  • Média: EPCAr no seu nível típico, eixo mais fino, vocabulário intermediário.
  • Difícil: registro da AFA, eixo bem apertado entre as alternativas finais, vocabulário específico.

Na prática isso quer dizer que prova antiga de AFA vale como treino de primeira linha, só calibrado num nível acima, não como material fora do seu escopo. Resolver questão de AFA com calma, sem pressa de acertar tudo, prepara mais pra EPCAr do que resolver só prova de EPCAr repetida.

É verdade que a prova de inglês da EPCAr 2027 veio mais difícil que a da AFA?

É o que relatam candidatos que fizeram as duas provas naquele ciclo, e o relato é consistente entre eles. A regra que normalmente vale, EPCAr mais tranquila, AFA mais densa, é só o padrão mais comum, não um teto fixo. A escala pode estourar, e 2027 parece ter sido um ano em que isso aconteceu do lado do inglês. Trato esse dado como sinal forte, vindo de quem acabou de sair da prova e comparou as duas de perto, mas não como medição fechada, porque é relato, não estatística oficial da banca.

O que isso muda pra quem vai prestar em ciclos futuros é simples: não estude pensando que inglês da EPCAr é sempre a parte mais fácil da prova. Ele costuma ser, mas o ano em que você presta pode ser diferente do padrão histórico, e quem se preparou também pro nível AFA não é pego de surpresa se isso acontecer de novo.

Preciso estudar gramática, ou só interpretação de texto já resolve?

As duas contam, mas o peso não é igual. A gramática costuma ser a parte mais tranquila do inglês da EPCAr. A interpretação é que é um saco, sinceramente. Ainda assim, questão de gramática aparece cravada dentro de questão de interpretação, então ignorar teoria cobra caro na hora errada. O tópico apontado como mais complexo do próprio edital é orações condicionais, o if clauses, que costuma vir amarrado a uma questão de sentido, não isolado como pergunta solta de decoreba.

Dá pra estudar as duas frentes junto, sem separar em blocos estanques: toda vez que você lê um texto pra treinar interpretação, sublinhe a estrutura gramatical que apareceu ali e revise ela à parte depois. Isso rende mais do que fazer cem questões soltas de gramática sem contexto nenhum.

Quanto tempo antes da prova eu preciso começar a estudar inglês?

Pra quem está começando do zero, contar com uns cinco meses de estudo constante antes da prova costuma ser suficiente pra cobrir a gramática do edital inteiro, desde que o contato diário com o idioma comece junto, não depois. Não adianta empilhar tudo nas últimas semanas: constância vale mais que intensidade de última hora, água mole em pedra dura, tanto bate até que fura.

É o teorema do canguru. Pula.Pedro Ferreira, numa aula sobre como passar em inglês na EPCAr começando do zero

Perguntas frequentes

Como estudar inglês para a EPCAr começando do zero?
Combine base gramatical leve (Duolingo, textos curtos e graduados por nível) com contato diário no idioma, filme dublado com legenda em inglês, música, jogo, e um caderno de vocabulário pra cada palavra nova. Em paralelo, treine a técnica de leitura da prova: varrer o texto (skimming) em vez de traduzir palavra por palavra (scanning), lendo as perguntas antes do texto e circulando datas, nomes e números na primeira passada.
Qual a diferença entre skimming e scanning na prova de inglês da EPCAr?
Scanning é parar em cada palavra desconhecida pra tentar traduzir antes de seguir, o que consome tempo que falta depois nas outras matérias. Skimming é varrer o texto inteiro primeiro, ficar só com o que você já reconhece e pular direto o que não conhece, sem travar. A maior parte das palavras desconhecidas nem é necessária pra responder à questão, então parar nelas custa mais do que ajuda.
A prova de inglês da EPCAr é parecida com a da AFA?
Sim, e não por coincidência: os mesmos professores elaboram as duas provas. Os mecanismos de pegadinha, como falso cognato, vocabulário em contexto e inferência, se repetem nas duas. O que muda é o registro do texto de apoio, mais simples na EPCAr, mais denso e argumentativo na AFA. Prova antiga da AFA é material de treino válido pra quem presta EPCAr, só que calibrado num nível acima.
É verdade que a prova de inglês da EPCAr 2027 foi mais difícil que a da AFA?
É o que relatam, de forma consistente, candidatos que fizeram as duas provas naquele ciclo. Normalmente a EPCAr vem num registro mais simples que a AFA, mas essa relação não é garantida todo ano, e 2027 parece ter sido um ano em que a escala de dificuldade do inglês da EPCAr superou a da AFA. Vale tratar como sinal forte de quem acabou de prestar as duas provas, não como regra fixa pra todos os anos.
Preciso estudar gramática de inglês para a EPCAr, ou só interpretação de texto já basta?
As duas contam. Das 16 questões de inglês, 8 costumam ser de interpretação de texto, mas gramática aparece cravada dentro de questões de interpretação, não isolada. O tópico apontado como mais complexo do edital é orações condicionais (if clauses). O jeito mais eficiente de estudar as duas frentes juntas é sublinhar a estrutura gramatical de cada texto que você usa pra treinar leitura, em vez de tratar gramática como bloco separado.
Quanto tempo antes da prova eu preciso começar a estudar inglês do zero?
Cerca de cinco meses de estudo constante costuma ser suficiente pra cobrir a gramática do edital inteiro, desde que o contato diário com o idioma comece desde o primeiro dia, não só nas últimas semanas. Constância pesa mais do que tentar compensar tudo de uma vez perto da prova.
O que é falso cognato, e por que ele é tão cobrado na EPCAr?
É uma palavra em inglês que parece ter tradução óbvia em português, mas na verdade significa outra coisa. A banca usa esse mecanismo de propósito pra identificar quem traduziu no chute em vez de entender o contexto. Exemplos reais já cobrados: elder (parece 'idoso', significa sabugueiro, uma planta) e labor (parece 'trabalho' no sentido de emprego, significa trabalho de parto). É o mecanismo mais recorrente entre as 432 questões de EPCAr e AFA analisadas pelo Elementar.
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Pedro Ferreira

Professor de Redação e Inglês

Pedro Ferreira sabe exatamente o que passa pela cabeça de quem está na reta final antes da EPCAr. Passou por isso, entrou no Esquadrão Xavante com 9,8 na redação, a maior nota da sua turma, e hoje ensina no Elementar Preparatório o mesmo método que o levou até lá: o Caveirão. Acredita que qualquer candidato que treinar direito consegue blindar a nota. Escreve aqui para ser o irmão mais velho que ele não teve quando mais precisou.

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