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Dicas de EstudoDisciplina

Como vencer a procrastinação: o guia sincero

Por Daniel CuryPublicado em 14 de julho de 20263 minutos de leitura
20%
DAS PESSOAS PROCRASTINAM DE FORMA CRÔNICA
5 min
O COMPROMISSO MÍNIMO PARA COMEÇAR
0
VEZES QUE A MOTIVAÇÃO CHEGOU ANTES DA AÇÃO
Em resumo
  • Procrastinação não é preguiça nem falta de caráter — é o seu cérebro fugindo do desconforto que a tarefa causa. Por isso quase todo método falha: ataca o tempo, não a emoção.
  • Motivação vem depois da ação, não antes. Quem espera a vontade chegar para estudar, espera para sempre.
  • O que funciona: começar pequeno, celular longe, horário fixo e compromisso público. O que não funciona: culpa, vídeo motivacional e “segunda-feira eu começo”.

Vamos combinar uma coisa logo de início: existe uma chance razoável de você estar lendo este artigo para adiar exatamente aquilo que ele ensina a parar de adiar. Está tudo bem. Termina de ler — prometo que, pelo menos dessa vez, o adiamento vai ser produtivo.

Eu falo com propriedade. Antes de passar na EPCAr, fui especialista em procrastinar: organizei minha mesa mais vezes do que resolvi questões, montei cronogramas lindos que duravam menos que promessa de ano novo e passei tardes inteiras “pesquisando o melhor método de estudo” — que era só mais um jeito de não estudar. Hoje, como professor de Matemática e diretor do Elementar, vejo os mesmos sintomas todo ano, em quase todos os alunos.

Então, isso vem de alguém que já esteve aí, do outro lado da tela, com o caderno fechado , procrastinando, triste. A diferença é que hoje eu sei o que a ciência diz sobre isso — e o que funciona na prática para quem estuda para concurso militar.

O que é procrastinação, de verdade

Primeiro, vamos desmistificar as coisas: procrastinação não é preguiça. Preguiçoso é quem não quer fazer nada e está em paz com isso. O procrastinador quer fazer, sabe que precisa fazer, sofre por não estar fazendo — e mesmo assim não faz. Se você se identificou, bem-vindo ao clube. Ele tem muitos sócios: as pesquisas do psicólogo Joseph Ferrari, referência no tema, estimam que cerca de 20% das pessoas procrastinam de forma crônica.

E quem estuda o assunto há décadas chegou a uma conclusão incômoda: procrastinação não é um problema de gestão de tempo. É um problema de gestão de emoção. Você não adia a lista de matemática porque “não teve tempo”. Você adia porque ela causa algum desconforto: tédio, insegurança, medo de tentar e descobrir que não sabe. O cérebro, projetado para fugir de desconforto, faz o que sabe fazer melhor: te empurra para qualquer coisa que dê alívio imediato. Geralmente, o celular.

E aqui temos um detalhe quase cruel, talvez sádico: o alívio dura alguns minutos. A culpa vai te martelar hora após hora, minuto após minuto, o dia todo.

Por que o candidato à EPCAr procrastina tanto?

É uma combinação de fatores que atinge quem presta concurso militar:

  • A prova parece longe. Se o seu alvo é a EPCAr 2028, ela parece confortavelmente distante. O cérebro humano é péssimo em dar valor a recompensa futura — os cientistas chamam isso de viés do presente. Aprovação daqui a muitos meses não compete com o prazer imediato.
  • Medo disfarçado de “depois eu faço”. Esse é um sabotador quase invisível, e eu demorei para admitir que ele existia em mim: se eu não estudar de verdade, a reprovação também não conta. Procrastinar vira uma defesa de tolo — “não passei porque não me dediquei” é mais agradável que “me dediquei e não passei”. O nome disso é autossabotagem, e ela reprova mais gente do que a prova
  • A tarefa é grande demais. “Estudar para a EPCAr” não é uma tarefa. É um monstro abstrato. Muitas vezes a sua covardia está disfarçada na procrastinação.

Perceba que todos esses erros se resolvem com a estratégia e direcionamento corretos. Chegaremos lá.

O que NÃO funciona (economize seu tempo e sua culpa)

Antes das soluções, um olhar atento e honesto no que você, com certeza, já fez ou faz:

  • Esperar a motivação chegar. Sabe aquele amigo que confirma presença em todos os eventos e não aparece em nenhum? Todo mundo conhece alguém assim. Vamos chamar esse cara de "motivação". Ela não vem antes da ação — vem depois. Você começa sem vontade, e a vontade aparece no meio do caminho, conforme você se desenvolve.
  • Maratonar vídeo motivacional. Assistir três vídeos sobre “como ter disciplina” e se sentir produtivo é a procrastinação mais bem disfarçada que existe. Você não precisa de mais um vídeo. Precisa sentar a bunda na cadeira e estudar.
  • O cronograma perfeito. Isso ae, cria o cronograma que leva mais tempo para montar do que para descumprir.
  • Se punir. Parece contraintuitivo, mas um estudo com universitários mostrou que quem se perdoou por procrastinar antes de uma prova procrastinou menos na prova seguinte. Culpar-se não resolve o problema, errar é normal, mas repetir o mesmo padrão defeituoso é burrice. Cabeça erguida, peito inflado e siga em frente.
  • Segunda-feira. O dia oficial do começo que nunca acontece. Se o seu plano só funciona começando na segunda, no dia 1º ou depois das férias, ele não é um plano — é uma desculpa imbecil.

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Como vencer a procrastinação: o que funciona de verdade

Agora que o terreno está limpo, vamos ao que a ciência e a sala de aula dizem. Nenhuma dessas técnicas é mágica, e todas operam pelo mesmo princípio: reduzir o desconforto de começar. Porque o seu problema nunca foi continuar — é começar.

1. Tire o celular da mesa. Não: do quarto.

Pesquisadores descobriram que a simples presença do aparelho na mesa, mesmo virado para baixo, já reduz sua capacidade de concentração — o cérebro gasta energia só para ignorá-lo. Celular em outro cômodo é menos uma coisa para se pensar. Usar a força de vontade contra celular é burrice. Você já tentou outras vezes e não deu certo, então por que insiste no mesmo erro? Sim, você vai sobreviver. Pode ficar tranquilo.

2. Marque horário e lugar.

“Vou estudar mais” é apenas um desejo. “Segunda a sexta, 19h, eu vou estudar matemática” é um planejamento pensado por você. Estudos sobre intenções de implementação mostram que quem define quando e onde tem muito mais chance de cumprir o planejamento. O horário fixo elimina a decisão diária de estudar — e decisão é exatamente onde a procrastinação vai insistir em tentar, inúmeras vezes, te derrubar.

3. Vença o monstro aos poucos.

Traduza “estudar para a EPCAr” em tarefas: resolver 10 questões de razão e proporção, ler um capítulo de interpretação de texto e resumir, refazer os erros do último simulado. Se você nem sabe por onde começar, comece por entender o que cai na prova da EPCAr.

4. Torne o compromisso público

quando você estuda sozinho, ninguém vê quando você desiste. E essa é, exatamente, a maior desvantagem. Quando existe turma, horário, simulado marcado e pessoas percebendo a sua ausência, faltar passa a ter custo social — e o cérebro leva custo social muito a sério. É por isso que a academia lota em Janeiro e logo esvazia quando Março chega, e é por isso que os alunos mais constantes que eu vejo são os que estudam acompanhados.

O ambiente influência na sua disciplina.

A Turma RAPTOR é o extensivo do Elementar focado na EPCAr 2028: cronograma pronto, aulas ao vivo, simulados totalmente inéditos — montado por quem foi 5º colocado, ex-aluno da escola e o dono da maior nota de redação de 2024. Você entra com a vontade; a estrutura a gente já deixou pronta.

Conhecer a turma RAPTOR

EPCAr 2028: “ainda dá tempo” é a frase que pode te custar a aprovação

“Ainda dá tempo” é tecnicamente verdade e estrategicamente uma burrice. Matemática, Português e Inglês são matérias cumulativas: cada semana adiada agora vira dívida com juros na reta final — quando não haverá mais prazo para pagar.

A prova não pergunta quando você começou. E, no dia da prova, a diferença entre aprovado e reprovado costuma ser justamente o conteúdo daquelas semanas que você se enganou com a frase medíocre “ainda dá tempo”. Quem começa cedo não é mais inteligente do que você. É só alguém que transformou tempo em vantagem enquanto os outros transformavam em desculpa.

Se a dúvida for anterior — se esse objetivo vale mesmo o esforço —, leia EPCAr vale a pena? O ninguém te conta, e decida sem informações incorretas.

Comece mal, mas comece hoje

Você não precisa de um recomeço épico, de um caderno novo, nem de segunda-feira. Precisa de 5 minutos hoje, no horário marcado, com o celular em outro cômodo e uma tarefa pequena o suficiente para você não desistir.

Vai sair perfeito? Não vai. Mas é aquela coisa, "feito é melhor que perfeito" — no estudo, na prova e em praticamente tudo.

E se você quiser transformar esses 5 minutos em rotina de constância e produtividade, não precisa fazer isso sozinho.

Perguntas frequentes

Procrastinação é preguiça?
Não. Preguiça é ausência de vontade; procrastinação é vontade acompanhada de fuga. O procrastinador sabe o que precisa fazer e sofre por não fazer — o que ele evita não é o esforço em si, é o desconforto emocional ligado à tarefa: tédio, insegurança, medo de errar.
Como parar de procrastinar nos estudos?
Reduzindo o atrito de começar: horário e local fixos, celular em outro cômodo, uma tarefa pequena e concreta e o compromisso mínimo de 5 minutos. Começar é a parte difícil — o resto tende a andar sozinho.
Procrastinação tem cura?
Você tem que driblar. Ela não some num estalo: é um padrão que você enfraquece com estrutura e repetição. Dias ruins vão acontecer. A diferença do aluno constante é que ele volta no dia seguinte, sem transformar um erro em desistência.
Por que eu procrastino mais em matemática?
Porque Matemática expõe rápido o que você ainda não sabe, e o cérebro prefere fugir a se sentir incapaz. A saída é inverter a lógica: quanto mais questões você resolve, menor a ameaça — e menor a vontade de fugir. Digo isso como professor de Matemática: ninguém nasce “ruim de exatas”.
Estudar em grupo ajuda a vencer a procrastinação?
Ajuda, e muito. Compromisso público cria custo para faltar, e ver colegas avançando recalibra a sua noção de ritmo. Uma turma com cronograma, simulados e cobrança — como a RAPTOR, do Elementar — transforma a disciplina de uma decisão diária em um ambiente que empurra você para frente.

Daniel Cury

Professor de matemática

Ex-aluno da EPCAR, fiz parte da melhor turma que já passou pela escola, a Thunderbolt. Professor e diretor do Elementar Preparatório, apaixonado por ler e aprender, mas o que eu realmente amo é ensinar.